Serviço de streaming traça uma nova estratégia de monitoramento
Que o serviço de streaming Crunchyroll é referência para aqueles que buscam um vasto catálogo de animes não é novidade. A plataforma já chega ao seu vigésimo ano de existência e passou por diversas mudanças em sua trajetória. Inicialmente uma espécie de comunidade dedicada à acessibilidade, expandiu-se quando o The Chernin Group investiu no negócio para, mais tarde, firmar parceria com a AT&T, fundando a Otter Media. Não demorou para ela ser integrada à WarnerMedia, com forte posicionamento no mercado, e entrar no embate com a Funimation, levando a um confronto direto entre WarnerMedia e Sony.
Por fim, a Sony acabou assimilando as duas plataformas e decidiu incorporar a Funimation à Crunchyroll, transformando esta em uma marca global e única. O projeto vai muito além de ser um “Netflix” dos animes: a Sony monetiza e fomenta esse mercado em várias frentes, envolvendo streaming, cinema, games, eventos, publishing, merchandising e home entertainment. Recentemente, a plataforma anunciou uma nova ofensiva contra a pirataria ao divulgar uma vaga estratégica para Vice-Presidente de Proteção de Conteúdo e Antipirataria. Para além de derrubar sites, a ideia é estruturar um departamento voltado apenas para isso: uma estratégia global, tecnológica e mensurável de proteção de conteúdo, envolvendo inteligência artificial, plataformas digitais, investigação, inteligência, DRM, reconhecimento de conteúdo, infraestrutura de internet, pagamentos e parceiros externos.

Alinhada à CODA (Content Overseas Distribution Association) e ao governo japonês, a Crunchyroll atua em duas frentes complementares da política japonesa de expansão internacional de conteúdo: aumentar a distribuição legítima e proteger a propriedade intelectual. Esse direcionamento prioritário acaba despertando incerteza nos usuários brasileiros, para os quais a gratuidade, a facilidade de acesso, a variedade do catálogo e a rapidez na disponibilidade de episódios são os principais termômetros de comportamento. Não se trata apenas de disponibilizar o conteúdo, mas de reter o assinante com algum diferencial: por que manter essa assinatura em detrimento de outra?