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7 thrillers que você precisa assistir de novo (ou pela primeira vez)

Os thrillers, ou filmes de suspense, são feitos para entregar, acima de tudo, experiências que você vai demorar bastante para esquecer (ou nunca esquecerá). Quem nunca se percebeu sentado na pontinha do sofá enquanto uma personagem vai abrir uma porta que ela nunca deveria abrir, e até gritou com ela por causa dessa ideia completamente descabida?

Desde sempre o cinema de suspense entrega títulos de prender o fôlego, trazendo aquelas sensações que a gente mal sabe explicar depois que tudo acaba. Todo mundo tem seus preferidos, claro. Mas, é inegável que alguns se destacam, especialmente pelo roteiro e por como as histórias são contadas.

A profundidade e a complexidade do que está representado na tela são tão grandes que, em diversos casos, assistir uma vez só é quase uma injustiça com o filme. Há tanto ali para absorver que é necessário revisitar e ver cada detalhe com mais atenção.

Separamos algumas dessas obras primas do thriller para você já colocar na lista do final de semana, seja pela primeira, segunda ou quinta vez.

1. O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs) – 1991

O Silêncio dos Inocentes traça uma linha tênue entre um suspense psicológico assustador e uma intensidade que só é vista em filmes de terror. Ele, inclusive, foi o único filme do gênero a ganhar o Oscar de Melhor Filme até hoje.

Baseado no livro homônimo de Thomas Harris, a história acompanha Clarice Starling, uma policial do FBI (Jodie Foster) durante a tarefa desesperadora de entrevistar na cadeia o Dr. Hannibal Lecter (Sir Anthony Hopkins), um psicólogo e serial killer. A ideia é que ela consiga trazer a visão dele sobre o caso que o condenou.

A partir do primeiro momento em que os dois se encontram, começa uma negociação perigosa em que a policial começa a trocar detalhes pessoais da vida dela pela experiência de Hannibal. Ali, eles constroem uma relação complexa e cheia de jogos psicológicos e de poder, em que há um sentimento constante de incômodo com a instabilidade mostrada por Lecter e a frieza de Clarice.

Porque você precisa assistir de novo?

Há muito para digerir e processar na troca extremamente bem construída entre Hannibal e a policial durante o thriller. Da primeira vez que você assiste, você entende as personalidades intensas de ambos e conhece seus objetivos e particularidades. No entanto, há pontos que não se percebe da primeira vez.

Quando você assiste novamente, a real qualidade do filme se revela. Os detalhes das vítimas que antes eram só relatos dados por Hannibal passam a ser mais mastigados e difíceis de engolir. Em um primeiro momento, quando você assiste, você só ouve como um relato. Da segunda vez, você começa a realmente ver a crueldade nas entrelinhas.

Jodie e Anthony entregam uma atuação brilhante, que faz com que cada vez que você assiste, mais perceba pequenas nuances de medo, apreensão, raiva, entre outros. É um jogo de xadrez com uma estrutura que se revela mais e mais a cada momento.

2. Parasita (Parasite) – 2019

Parasita fez história ao ser um dos primeiros filmes sul-coreanos a competir e ganhar prêmios a nível internacional. Dessa maneira, se tornou um dos maiores trunfos do cinema do século XXI, especialmente pela maneira inteligente com que satiriza a estrutura de classe e traz para a tela o drama intenso das famílias mais pobres do país.

O filme conta a história da família Kim, que aos poucos se infiltra na casa da abastada família Park por meio de empregos em diversas áreas. Um dos membros da família começa a dar aulas, o pai passa a ser o motorista, a mãe faz o serviço de casa e assim por diante, sem que ninguém da casa saiba que todos são parentes.

Inicialmente o plano dá certo, mas com o tempo a tensão, a raiva e a diferença entre as classes começa a perder o controle, a ignorância da família Park em relação aos aspectos sociais vem à tona e tudo desmorona aos poucos.

Por que você precisa assistir de novo?

Quando você assiste Parasita pela primeira vez, sua mente é tomada pela ansiedade e pela apreensão. O maior foco é (e deve ser de fato) a progressão esquisita da história e as reviravoltas de explodir a cabeça, entregues por meio da direção precisa de Bong Joon Ho.

Na segunda vez que você assiste, já sabendo a história, é possível perceber as nuances que antes, em meio à tensão constante, não eram tão claras no thriller. Isso vai desde os detalhes de cada casa até as características de cada personagem em situações pontuais. Os diálogos ganham outra camada e até mesmo as percepções de valor em relação às duas famílias pode ficar balançada.

Parasita pode não ser um thriller dos mais fáceis de reassistir, mas a experiência tem tudo para enriquecer ainda mais a sua visão sobre o filme.

3. Amnésia (Memento) – 2000

Quem gosta de cinema sabe que os filmes de Christopher Nolan ganham muitas camadas ao serem reassistidos, e com Amnésia não é diferente, mas aqui é quase imprescindível parar e ver uma segunda vez. O filme praticamente pede isso em sua essência, principalmente por causa da sua ordem cronológica propositalmente confusa.

O filme acompanha Leonard Shelby (Guy Pearce) na busca pelo assassino de sua esposa. Shelby tem amnésia anterógrada, condição que o impede de criar novas memórias após o trauma. Para lembrar de seus passos, ele só tem fotos tiradas com sua Polaroid e tatuagens, que ele faz ao longo da investigação.

Há em Amnésia um diferencial: enquanto toda essa história é contada em cenas coloridas, sem conexão cronológica (para que você sinta o mesmo que o personagem), em preto e branco uma outra história, totalmente linear e cronologicamente correta, conta o passado de Shelby como investigador de seguros e a relação dele com Sammy Jenkins (Stephen Tobolowsky), que também lida com a amnésia anterógrada.

Por que você precisa assistir de novo?

Quando um thriller te entrega uma cronologia bagunçada e um final questionável, assistir novamente é quase obrigatório, certo? Em um segundo momento, Amnésia permite que você brinque com a estrutura cinematográfica, voltando, avançando, pausando e estudando a obra de maneira única. É como montar um quebra-cabeça.

Mais do que um thriller extremamente bem amarrado, Amnésia traz os típicos 3 atos do cinema com uma genialidade poucas vezes vista. Cada aspecto principal é mostrado exatamente onde e quando precisa ser. Detalhes novos pulam na tela e sua percepção da história é constantemente alterada a cada vez que você assiste.

4. Corra! (Get Out) – 2017

Corra! é uma adição inquestionável aos clássicos do thriller e suspense. Apesar de novo, se consolidou como uma das obras primas mais impactantes de sua época, e o mesmo aconteceu com o diretor estreante Jordan Peele. Sua temática é extremamente bem pontuada e trazida para as telas de uma maneira ora satírica, ora desesperadora e real.

A história acompanha o fotógrafo Chris Washington (Daniel Kaluuya), um homem negro que viaja para a casa de verão de sua namorada branca. Inicialmente, ele entende que a maneira que estão tratando-o é esperada considerando os padrões sociais, mas logo tudo se torna extremamente sinistro e aterrorizante.

Por que você precisa assistir de novo?

À primeira vista, Corra! é um thriller com um tom que muitas vezes leva para a sátira e para o absurdo. As situações contadas são facilmente interpretadas como um certo exagero da primeira vez que o filme é assistido, mas quando se trata da segunda vez, tudo muda de figura.

O que era sátira ou alívio cômico se torna uma antecipação incômoda do que vai acontecer no futuro. Saber a história levanta, durante o filme, uma complexidade psicológica que não é percebida inicialmente nas personagens. Olhares, sorrisos, atitudes pequenas, tudo passa a ser visto por outro ângulo.

Ao assistir o filme de novo, o espectador já se coloca diretamente no lugar de Chris, olhando para todos no ambiente com os dois pés atrás. Ninguém é 100% bom ou confiável. Enquanto da primeira vez as sensações surgem só na segunda parte do filme, em um novo momento elas existem o tempo todo.

5. Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive) – 2001]

Na maioria das vezes, a maior diversão em ver um thriller enigmático pela segunda vez está em montar todo o quebra-cabeça, entender a história de outra maneira e construir percepções mais coesas para tudo aquilo. Em Cidade dos Sonhos, no entanto, é um pouco diferente.

Carregado do senso estético de David Lynch, o filme conta a história de uma atriz em ascensão que fica amiga de uma mulher com amnésia. Ela então começa a investigar a vida passada dessa nova conhecida, buscando pistas que podem revelar sua verdadeira identidade.

Existem muitas histórias secundárias por todos os lados, e nem todas tem conexão com a principal. Não dá para esperar que o roteiro aqui entregue algo conciso com começo, meio e fim.

Por que você precisa assistir de novo?

Ao rever Cidade dos Sonhos você sempre irá embarcar na jornada com um foco diferente, encarando a fantasia de Hollywood e de Los Angeles e mergulhando na vida bela, atordoante e muitas vezes amedrontadora da cidade.

Personagens extremamente interessantes e únicos dão um tom inquietante ao filme, que muitos podem até achar estranho. No entanto, suas cenas bem construídas e o quanto a aventura se mistura ao humor e aos sentimentos causados pela história fazem com que ele não perca a graça e nem o aspecto místico típico das obras de Lynch.

Quantas vezes você assistir Cidade dos Sonhos vão ser quantas vezes você verá um filme diferente ali.

6. Festim Diabólico (The Rope) – 1948

Assistir Festim Diabólico pela primeira vez é se ver arremessado em uma história focada em uma única pergunta simples e cruel: “alguém vai descobrir?”. Dirigido por Alfred Hitchcock, o filme conta a história de dois jovens intelectuais, Brandon e Philip, que assassinam um colega momentos antes de receberem em seu apartamento os pais da vítima, amigos em comum, e o professor Rupert (James Stewart).

Após o crime, o corpo é escondido dentro de um baú que se torna a mesa de jantar. A festa começa e cabe aos dois jovens evitar ao máximo a descoberta enquanto os convidados passeiam pelo espaço reduzido do apartamento. O thriller corre em tempo real, e a clausura se transforma em elemento cinematográfico. A câmera não desvia, os planos-sequência se acumulam um após o outro e não há momento de alívio da tensão.

Por que você precisa assistir de novo?

Depois de entender a história e já sabendo o que acontece, a tensão e a dúvida se acalmam e dão lugar, na segunda vez em que se assiste, à observação e entendimento de certos detalhes. Tudo sempre esteve ali, mas sem ver o final pela primeira vez, é impossível reparar.

Como já se sabe o que ocorre, é notável com muita clareza a presença de indícios do desfecho desde o começo. O que antes passou despercebido é praticamente destacado na tela. As personagens ganham outras camadas que mudam completamente a primeira ideia sobre elas e a câmera, que antes só parecia perdida em alguns pontos, começa a se revelar essencial para o andamento do filme.

Na primeira sessão você sente o filme, e na segunda você começa a ler e entender cada ponto da história.

7. Psicose (Psycho) – 1960

Na primeira vez que você assiste, Psicose parece saber exatamente para onde está indo. Mais um do grande mestre do thriller, Hitchcock, a história acompanha Marion Crane (Janet Leigh) após roubar dinheiro do seu empregador e fugir de carro sem destino. Ela chega ao Bates Motel, que é administrado por Norman Bates (Anthony Perkins), um jovem tímido e gentil.

A primeira hora do filme é um thriller de estrada que entrega uma protagonista clara, motivações reconhecíveis e muita tensão. Tudo ali caminha para uma direção clara, até que o jogo vira. Hitchcock quebra as regras e traz uma reviravolta que mudou o cinema para sempre e reconstrói o filme do zero no ato, ali, na sua cara. O motel se torna mais sinistro, novos personagens e perguntas aparecem e a percepção de que tudo ia para aquele caminho cai por terra rapidamente.

Por que você precisa assistir de novo?

Ao compreender a real natureza do filme e das personagens nos diferentes momentos, em uma segunda sessão o que antes era inocente, gentil, passa a ser sufocante. Características se revelam em gestos, olhares entregam outras intenções e a câmera vira personagem, apresentando os detalhes um a um. As conversas se tornam praticamente confissões e antecipam as alterações das personalidades presentes ali.

A grande virada do roteiro da segunda vez não choca. Se torna só a última peça de uma montagem que começa junto com o filme. As escolhas de direção, diálogos, cenários e movimentos sempre estiveram ali para mostrar a verdade, mas não há como descobrir isso sem conhecer o desfecho.

Gostou? Qual filme você acha que precisa assistir de novo?

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