Quem já imaginou os segredos e a vida de vizinhos pode se identificar logo de cara com “O Convite”, novo filme dirigido por Olivia Wilde que estreia em 09 de julho no Brasil. Mas é difícil descobrir o que o longa-metragem guarda ao longo de suas 1h47 de duração. Além de reviravoltas interessantes, “O Convite” tem um roteiro muito coeso e com bons temas.
Na trama, Angela (Olivia Wilde) e Joe (Seth Rogen) estão casados há muito tempo – e a relação morna transparece em cada cena. Há uma desconexão que abre o filme, acompanhando Joe e seus momentos de desatenção. Angela se aproveita deles para finalmente marcar um jantar com os vizinhos de cima: Piña (Penélope Cruz) e Hawk (Edward Norton). O casal é todo moderno, misterioso, até seus nomes são descolados, o que mexe com a imaginação de Angela. Já Joe pretende usar a noite para reclamar dos barulhos da vida sexual intensa dos vizinhos.
Com apenas quatro personagens em cena e um cenário praticamente único durante a maior parte do filme (o apartamento de Joe e Angela), a escolha do elenco é fundamental. E Wilde acerta em cheio. Além dela, três artistas cativantes, que conseguem entregar bons diálogos, movimentos de corpo e um domínio da atuação em frente à câmera, sem roubar a cena. Todos têm vários momentos para brilhar.
O apartamento também é muito bem escolhido, formando ângulos junto com os enquadramentos que exploram as relações entre os quatro. Símbolos claros de afastamento ou aproximação e o bom uso dos diferentes ambientes renovam a história a cada cena.
O roteiro é outro grande acerto. Assinado por Rashida Jones e Will McCormack, consegue aproveitar cada fala e cada interação para abrir novas possibilidades para os quatro. O casal misterioso vai deixando vazar suas intenções e também seus defeitos aos poucos. Já Joe e Angela, em disputas que vão se tornando cada vez mais claras, aprofundam as dificuldades que o casal passa e que vão muito além de um momento de crise.
“O Convite” pode parecer uma comédia a partir de situações que envolvem desejo e vergonha, mas vai além. Entre diálogos muito bem construídos e uma parte técnica bem planejada, o filme discorre sobre identidade, o quanto escondemos dos parceiros e de nós mesmos – e que talvez precise de um convite para se revelar, ainda que a verdade seja dolorosa. Nota: 4.5/5.0
Texto por Brunow Camman