Numa entrevista à britânica BCC, o Diretor Criativo Matt Searcy contou sobre sua percepção da franquia Gears of War e o que esperar após o lançamento de E-DAY em 6 de outubro. Para ele, o jogo de tiro sci-fi é uma “mistura de história de guerra com monstros ao estilo de quadrinhos que saem do chão”. “É um videogame com muito coração, muito sangue e tripas”, disse.
Lançado primeiro no Xbox 360, Gears ajudou a popularizar o estilo de jogo “cover-shooter”, que incentiva os jogadores a se protegerem dos ataques inimigos. Ele trouxe uma dimensão estratégica para os jogos de ação em terceira pessoa, e também conquistou fãs com seus modos multiplayer cooperativos, um recurso que voltou para E-Day. Mas, 20 anos depois, a Xbox se encontra em uma posição bem diferente no mercado de consoles. Ela é vista como uma concorrente de terceiro lugar, atrás tanto do PlayStation da Sony quanto do Switch da Nintendo.
O ex-CEO Phil Spencer tinha começado a levar a divisão para uma nova direção, lançando alguns de seus jogos mais populares em consoles rivais pela primeira vez. Esperava-se amplamente que E-Day seguisse outras séries de alto orçamento, como Halo, em máquinas de outras empresas. Mas a nova chefe do Xbox, Asha Sharma, que assumiu o cargo em fevereiro, anunciou que Gears of War continuaria sendo um “exclusivo de console”, embora uma versão para PC também tenha sido lançada. Sua estratégia tem sido questionada por críticos.
A saúde de Gears of War e seu lugar na XBOX
Depois de levar seis anos para ser feito e com um orçamento estimado em centenas de milhões, eles argumentam que manter E-Day fora de outras plataformas pode significar que é menos provável recuperar o custo de desenvolvimento. O chefe do estúdio Coalition, Mike Crump, diz que E-Day é uma “escolha natural para ser um exclusivo”. “Gears tem sido uma franquia exclusiva do Xbox há 20 anos. Está de certa forma profundamente ligado à marca”, opinou, completando que a The Coalition se orgulha disso.
A série “carrega a bandeira” do console e dá às pessoas um “motivo para estar no ecossistema Xbox”, algo que ele afirma ser a missão da empresa desde o primeiro dia. No entanto, inevitavelmente haverá discussões sobre os números de vendas e de engajamento de E-Day. Quando perguntado sobre o que constituiria sucesso para o jogo, Crump admite que o estúdio tem metas financeiras e objetivos para o número de jogadores que quer alcançar, mas insiste que adota uma “visão mais ampla” do que isso.
“Nós medimos coisas como: estamos mostrando a plataforma? Estamos levando o hardware ao limite? Estamos mostrando do que o Xbox é capaz? Nosso objetivo basicamente é ser o jogo com melhor visual no Xbox e realmente mostrar à indústria o que é possível com o nosso hardware”, explicou. Na visão de Crump, também é importante direcionar os jogadores para o Game Pass, o serviço de assinatura estilo Netflix da Xbox.
Futuro na sombra de demissões
Em julho, Sharma comunicou aos funcionários que haveria 3.200 cortes de empregos nos estúdios pertencentes à Xbox durante o ano fiscal atual. Em setembro, a empresa disse que estava cerca de três quartos do caminho nesse plano. A The Coalition conseguiu evitar cortes até agora, embora um dos diretores de narrativa de E-Day tenha anunciado no mês passado que havia sido demitido.
Relatórios sugerem que os desenvolvedores do estúdio estão preocupados com a possibilidade de estarem em risco agora que o jogo foi lançado. Para Crump, é melhor que ele e a equipe foquem nas coisas que podem controlar ao invés de temerem demissões. “Para nós, isso significa lançar um ótimo jogo que as pessoas vão adorar, e sinto que, como equipe, fizemos isso”, enfatizou. Gears of War: E-DAY deve fornecer “ótima base” para os futuros jogos da série e insiste que “o próximo jogo não vai demorar tanto” para ser feito.
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