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A Morte de Robin Hood é brutal e imersivo, mas peca no ritmo

A lenda de um herói britânico medieval que roubava dos ricos para dar aos pobres percorreu séculos, ganhou inúmeras histórias, releituras e adaptações para o cinema. Muitas delas optaram por reproduzir a visão de que Robin Hood seria um bandido do bem, que só machucava os que mereciam, pois eram más pessoas. Em A Morte de Robin Hood (2026), porém, houve uma mudança de percurso.

Com uma abordagem mais realista, o filme rejeitou a glorificação de Robin Hood. Ao invés disso, preferiu um homem que roubava e matava muito mais por prazer e ambição própria. Mas essa não foi uma história de como ele viveu, e sim, de como as consequências da vida o perseguiram em seus últimos anos. 

Na Idade Média, quando a vida era tirada muito mais facilmente, as pessoas esperavam solucionar seus problemas ou, ao menos, remover obstáculos que as impediam de obter o que desejavam. Por mais que tal visão tenha sobrevivido até o século atual, vide as guerras ainda em curso, parte considerável da sociedade não enxergou mais a morte como a saída. No Brasil, assim como em outros países, inclusive se criaram leis para tratar de homicídios por motivo torpe, ou seja, fúteis.

O Equilíbrio Entre Dualidades

O longa-metragem fez um excelente trabalho em demonstrar a fragilidade da vida e a brutalidade que cercava essa sociedade rural. A junção de rotinas monótonas de camponeses que viviam afastados à violência da criminalidade formaram um bom contraste. Nesse sentido, o filme não teve o mínimo de pudor em colocar Robin em situações cruéis na primeira parte. Foi um lembrete eficaz do quanto a humanidade evoluiu para que suas diferenças não levassem à morte.

O ator Hugh Jackman, conhecido por interpretar o Wolverine em Logan (2017) e em vários filmes dos X-Men, deu vida a um Robin cansado, reflexivo e melancólico. De certo modo, a proposta do filme encontrou similaridades em Logan ou até nos protagonistas recentes de Christopher Nolan: Oppenheimer e Odisseu. Um indicativo de que, talvez, Hollywood tenha percebido que grandes homens envergonhados de seus atos tenham uma audiência própria.

A Morte de Robin Hood (2026) tratou, acima de tudo, de equilíbrio. Incontáveis mortes só poderiam cessar o desequilíbrio assim que a pessoa causadora delas estivesse morta, porque famílias não esquecem de seus algozes. Curiosamente, o equilíbrio também apareceria no acaso e na simplicidade da vida. Por isso, nos outros dois terços, o filme representou com maestria a beleza e calmaria que um período tão opressivo poderia ter, com eventuais momentos de tensão.

Uma Direção Inquieta e Mansa

O ritmo mais gradual se somou à trilha sonora original de Jim Ghedi, numa construção atmosférica tocante e imersiva. Com mais espaço para sentir a cada som, palavra e ângulo, houve a nítida intenção de transportar o espectador para o ambiente medieval, que não foi um meio para a história, mas boa parte da história em si. A direção intimista de Michael Sarnoski contribuiu enormemente para isso. Para os não familiarizados, ele dirigiu Pig (2021) e Um Lugar Silencioso: Dia Um (2024).

Sarnoski produziu um filme com momentos sombrios e cinzentos que intercalam com os quentes e aconchegantes. A escolha por ângulos de câmera mais voltados à perspectiva de Robin Hood, planos fechados e um bom jogo contra-plongée deram à direção uma inegável personalidade. Evitou-se a todo o custo o uso de personagens de todo corpo inteiro e retos na tela.

Infelizmente, Sarnoski pecou na dose de sua proposta. Diante de um filme que enfatizou tanto o equilíbrio, algumas cenas se tornaram contemplativas demais e cortes precisos iriam aprimorar o ritmo sem sacrificar o coração do filme. O excesso de rimas também foi um problema. Às vezes, uma cena se repetia numa clara alusão à outra, mas sem acrescentar quase nada novo. A sensação foi a de que o filme quis se dizer mais complexo e poético do que realmente é. 

Uma expressão que se convencionou para falar de diálogos rasos ou que a nada serviam foi “jogar conversa fora”. Nem sempre jogar conversa fora com alguém é um atestado de profundidade. Na verdade, na maioria das vezes não o é. 

O longa-metragem foi uma experiência impactante, grotesca e graciosa em igual medida. Seus problemas de ritmo e proposta certamente afastarão muitos públicos. Uma conclusão possível é a de que esse nunca foi um filme sobre a decadência de uma lenda até definhar, mas sobre um homem que já estava morto há muito tempo. Apenas não havia ninguém forte o bastante para expulsá-lo desse mundo. Para A Morte de Robin Hood (2026), um veredito de 3.5/5.

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