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Crítica | One Piece: O Filme é uma aventura simples que chega ao Brasil como presente para os fãs

Existe algo muito curioso em assistir a One Piece: O Filme em 2026. O longa foi lançado no Japão em 2000, quando o anime ainda estava no começo e Monkey D. Luffy sequer havia formado a tripulação que os fãs conheceriam ao longo das décadas seguintes. Agora, 26 anos depois, essa pequena aventura finalmente chega aos cinemas brasileiros.

E talvez seja justamente esse intervalo de tempo que torne a experiência tão especial.

One Piece: O Filme não tenta competir com as grandes histórias que a franquia produziria posteriormente. Com aproximadamente 50 minutos, o longa entrega uma aventura direta, divertida e bastante próxima daquilo que tornava os primeiros episódios do anime tão gostosos de acompanhar. Luffy, Zoro, Nami e Usopp encontram um mapa do tesouro, enfrentam piratas, chegam a uma ilha misteriosa e se envolvem em uma história que mistura ação, humor e uma pequena dose de emoção.

É uma história de piratas no sentido mais clássico possível.

Uma aventura com a cara do começo de One Piece

A trama acompanha a lenda de Woonan, um pirata conhecido como o Grande Pirata de Ouro por ter acumulado uma quantidade gigantesca de riquezas. Depois de desaparecer, seu tesouro passa a ser procurado por diversos piratas, incluindo Eldoraggo, um capitão obcecado pela fortuna.

O caminho de Eldoraggo acaba cruzando com o dos Chapéus de Palha, que também chegam à ilha em busca do tesouro. No meio da confusão está Tobio, um garoto que sonha em seguir os passos de Woonan e que possui uma ligação importante com Ganzo, seu avô.

A estrutura é extremamente simples. Existe um tesouro lendário, existe um pirata querendo encontrá-lo e existe uma ilha cheia de pistas. Isso é praticamente tudo que o filme precisa para colocar Luffy e companhia em movimento. E funciona.

Uma das melhores coisas de One Piece: O Filme é perceber como os personagens ainda estão próximos das suas versões mais básicas. Luffy é curioso, impulsivo e incapaz de recusar uma boa aventura. Zoro funciona como o espadachim sério do grupo, embora também participe das situações absurdas que surgem pelo caminho. Nami continua enxergando dinheiro praticamente em qualquer situação. Usopp transforma suas mentiras em uma ferramenta para escapar dos problemas.

O filme entende que não precisa explicar demais essas personalidades. Basta colocá-las juntas. Isso fica especialmente divertido quando Luffy e Zoro acabam presos um ao outro durante parte da aventura. A situação serve tanto para as cenas de ação quanto para o humor físico, criando aquele tipo de caos que combina perfeitamente com o One Piece dos primeiros anos.

É uma experiência muito diferente de assistir aos longas mais recentes da franquia. Aqui, não existem dezenas de personagens, grandes batalhas capazes de destruir ilhas ou uma ameaça que envolve o destino do mundo. Existe uma tripulação pequena, um mapa, um tesouro e uma ilha.

E é muito bom voltar para esse tamanho de aventura.

Lutas rápidas e muito humor

Quem espera grandes batalhas pode sair um pouco decepcionado. Os confrontos são curtos e o filme não possui tempo suficiente para desenvolver sequências de ação muito elaboradas.

O próprio confronto de Luffy contra Eldoraggo ganha mais espaço e aproveita uma habilidade bastante peculiar do vilão: a Goe Goe no Mi, que permite transformar sua voz em poderosos ataques sonoros. Luffy encontra uma solução completamente absurda para lidar com o golpe e é exatamente esse tipo de lógica que faz One Piece funcionar. A solução não precisa ser convencional. Precisa combinar com a criatividade do protagonista.

A dublagem brasileira ajuda na experiência

A chegada aos cinemas brasileiros ganha ainda mais força com a dublagem. Carol Valença, Glauco Marques, Tati Keplmair e Adrian Tatini interpretam respectivamente Luffy, Zoro, Nami e Usopp, mantendo a dinâmica que os fãs já conhecem.

O trabalho também aproveita adaptações e piadas que funcionam naturalmente em português. Isso combina especialmente bem com um filme que possui bastante humor físico e situações absurdas.

Como a história é curta e possui um ritmo bastante acelerado, o trabalho das vozes ajuda a manter a aventura leve. As interações entre os quatro Chapéus de Palha são uma parte importante da diversão.

Uma cápsula do tempo de One Piece

Visualmente, o filme também funciona como uma espécie de cápsula do tempo. A animação tradicional, os traços, as cores e o desenho dos personagens remetem diretamente ao One Piece do início dos anos 2000. Depois de acompanhar a evolução visual da franquia durante mais de duas décadas, encontrar novamente aquele estilo tem um peso nostálgico enorme.

É quase como abrir uma janela para uma época em que a aventura ainda estava começando.

A música também contribui para essa sensação. A presença de “We Are!” na abertura e “Memories” no encerramento reforça a conexão com os primeiros anos do anime e transforma a sessão em um reencontro com uma versão muito mais jovem da franquia.

Um presente atrasado 26 anos

One Piece: O Filme tem limitações claras. O antagonista é simples, algumas lutas terminam rápido e determinados personagens poderiam receber mais desenvolvimento. A duração reduzida também faz com que tudo aconteça em um ritmo bastante acelerado.

Essas características fazem parte da própria proposta do longa. Ele foi produzido em 2000, quando One Piece ainda estava construindo seu universo e tinha uma escala muito menor do que a atual.

Por isso, tentar enxergar o filme apenas pela régua das grandes produções cinematográficas da franquia seria perder justamente aquilo que torna essa sessão tão divertida.

O longa é uma aventura pequena, leve e extremamente confortável de assistir. Você acompanha Luffy, Zoro, Nami e Usopp em uma caça ao tesouro, ri das situações absurdas, vê algumas boas cenas de ação e chega ao final com aquela sensação de ter passado pouco menos de uma hora dentro de uma história clássica de piratas.

Para quem acompanha One Piece há anos, existe ainda uma camada adicional: assistir a esse filme nos cinemas brasileiros agora significa finalmente ter acesso oficial, em português e na tela grande, a uma produção que existe há 26 anos. É um lançamento atrasado, mas a sensação é de presente.

Em 2000, One Piece: O Filme era apenas uma pequena aventura paralela de uma série que ainda estava começando. Em 2026, ele se transforma em uma oportunidade de voltar ao momento em que tudo parecia menor, mais simples e mais imprevisível. E talvez seja esse o maior charme da sessão.

One Piece: O Filme chega aos cinemas brasileiros em 17 de setembro, com distribuição da Paris Filmes.

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